Alerta de segurança
PHP2Shell: as falhas críticas no PHP e o que fazer se o seu site usa PHP
Duas falhas críticas no PHP levaram governos e empresas a desligar sites a 21 de outubro de 2026. Saiba quem está em risco, que versões corrigem o problema e o que fazer hoje.
Em resumo
- O que aconteceu: a 21 de outubro de 2026 foram publicadas correções para duas falhas críticas no PHP (CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619), conhecidas como PHP2Shell, com gravidade 9,2 em 10.
- O risco: um atacante pode executar código no servidor sem iniciar sessão, roubar dados, alterar o site ou deixar uma porta de acesso escondida.
- Quem está exposto: sites em PHP, o que inclui WordPress, Joomla, Drupal, PrestaShop e Magento.
- O que fazer hoje: confirmar a versão do PHP e atualizar para 8.5.12, 8.4.27, 8.3.36 ou 8.2.35. Quem está no PHP 8.1 ou anterior tem de mudar de versão.
O que aconteceu
Na quarta-feira, 21 de outubro de 2026, a equipa do PHP publicou atualizações de emergência para duas falhas graves na linguagem que corre a maior parte dos sites do mundo. Segundo a W3Techs, o PHP está presente em cerca de 75% dos sites cuja tecnologia é identificável, e é a base do WordPress, do Drupal, do Joomla e do Magento.
As duas falhas estão no tratamento de erros internos do PHP. Segundo a análise da Unit 42 (Palo Alto Networks), uma delas deixa memória por inicializar quando o servidor fica sem memória, e a outra deixa referências a memória já libertada depois de um erro fatal. Em ambos os casos, um pedido bem preparado pode levar o servidor a executar código do atacante sem qualquer autenticação, com as permissões do próprio PHP. Em algumas configurações, o ataque acontece antes de o código do site sequer começar a correr.
A empresa de segurança Wiz indicou que as falhas foram encontradas com ferramentas de inteligência artificial e que estavam no código do PHP há mais de uma década. A presidente interina da Drupal Association resumiu a dimensão do problema ao afirmar que todos os servidores com versões do PHP lançadas nos últimos 20 anos seriam vulneráveis.
Porque é que tantos sites foram desligados
Com a correção publicada, qualquer atacante pode estudá-la e perceber onde está a falha. Por isso, várias agências de cibersegurança aconselharam a atualizar de imediato ou, quando isso não for possível, a tirar o site do ar até estar corrigido.
- Nos Países Baixos, o próprio Centro Nacional de Cibersegurança desligou o seu site, e seguiram-se o Porto de Roterdão, o portal Overheid.nl e vários hospitais.
- Em França, o Ministério do Interior colocou todos os seus sites em manutenção preventiva.
- Na Bélgica saíram do ar a plataforma escolar Smartschool, sites de grupos de media e de um hospital em Antuérpia.
- No Canadá, o governo federal desligou alguns sites por recomendação do seu centro de cibersegurança.
- No Japão, a primeira-ministra pediu publicamente aos responsáveis por sites que verifiquem se usam PHP e apliquem a correção, e o centro nacional de cibersegurança pediu a suspensão temporária dos serviços que não possam ser atualizados.
A Cloudflare reportou os primeiros ataques reais pouco depois da publicação e lembrou que as regras de firewall são apenas uma proteção temporária. A Unit 42 contou mais de 22 milhões de instalações expostas na internet.
O meu site está em risco?
Se o seu site usa PHP e o servidor ainda não foi atualizado, sim. Na prática, isto inclui:
- Sites em WordPress, que são a maioria dos sites de pequenas empresas em Portugal.
- Lojas online em WooCommerce, PrestaShop ou Magento.
- Sites em Joomla, Drupal ou feitos à medida em PHP, incluindo áreas de cliente e formulários antigos.
Os mais expostos são os sites em alojamento partilhado barato, onde a atualização depende do fornecedor, e os sites que ninguém mantém há meses. Um site parado num PHP 7.4 ou 8.0 nunca vai receber esta correção.
Sites feitos em plataformas fechadas, como Wix, Shopify ou Squarespace, e sites estáticos sem PHP no servidor não estão expostos a estas falhas.
O que fazer hoje, passo a passo
- Confirme a versão do PHP. Veja no painel do alojamento (cPanel, Plesk ou equivalente) ou, no WordPress, em Ferramentas > Saúde do site > Informação > Servidor. Explicamos os vários métodos neste guia.
- Atualize para uma versão corrigida. As versões seguras são 8.5.12, 8.4.27, 8.3.36 e 8.2.35, ou superiores dentro do mesmo ramo.
- Se não consegue mudar sozinho, peça ao alojamento. Pergunte por escrito se a correção já está instalada, e não apenas agendada.
- Se está no PHP 8.1 ou anterior, não há correção para a sua versão. É preciso mudar para o 8.2 ou superior e testar o site, porque plugins antigos podem deixar de funcionar.
- Se não consegue atualizar já, ponha o site em manutenção. É o que as autoridades recomendam: um site desligado durante umas horas custa menos do que um site comprometido.
- Procure sinais de ataque. Utilizadores administradores que não conhece, ficheiros novos na pasta do site, redirecionamentos para outras páginas ou avisos do Google. Se encontrar algo, mude as palavras-passe do alojamento, da base de dados e do painel do site.
- Confirme que tem cópias de segurança guardadas fora do servidor e que sabe restaurá-las.
Atenção: atualizar o WordPress ou os plugins não atualiza o PHP. São camadas diferentes, e esta falha está na camada do servidor.
Versões do PHP e estado de segurança
| Ramo do PHP | Versão corrigida | Estado |
|---|---|---|
| 8.5 | 8.5.12 ou superior | Suportado |
| 8.4 | 8.4.27 ou superior | Suportado |
| 8.3 | 8.3.36 ou superior | Suportado |
| 8.2 | 8.2.35 ou superior | Suportado, perto do fim |
| 8.1 e anteriores | Sem correção | Mudar de versão |
Depois da correção: o que muda para uma pequena empresa
O PHP2Shell vai ser corrigido em poucos dias na maioria dos alojamentos sérios. O problema de fundo continua: muitos sites de pequenas empresas não têm ninguém responsável pela manutenção. O PHP fica anos sem ser atualizado, os plugins acumulam falhas conhecidas e ninguém repara até o Google mostrar um aviso ou os clientes receberem emails estranhos.
Se o site recolhe dados de clientes, um ataque pode ainda obrigar a comunicar a violação de dados à CNPD no prazo de 72 horas, como prevê o RGPD. Explicamos os riscos de um site parado neste artigo sobre WordPress desatualizado.
Como a Nexo Solutions pode ajudar
Pode começar pela verificação rápida gratuita, que lê o que o servidor do seu site mostra para fora e indica se a versão de PHP visível está corrigida. Para uma resposta completa, a verificação de segurança de 75 € confirma por dentro a versão do PHP, plugins, tema, acessos, cópias de segurança e sinais de ataque, e entrega um relatório com o que corrigir primeiro.
Perguntas frequentes
O que é o PHP2Shell?
PHP2Shell é o nome dado a duas falhas críticas no PHP, registadas como CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619, com gravidade 9,2 em 10. Permitem a um atacante executar código no servidor de um site sem iniciar sessão.
Que versões do PHP corrigem o PHP2Shell?
As correções saíram a 21 de outubro de 2026 nas versões 8.5.12, 8.4.27, 8.3.36 e 8.2.35. As versões 8.1 e anteriores já não recebem atualizações de segurança e têm de ser substituídas por uma versão suportada.
Atualizar o WordPress resolve o PHP2Shell?
Não. O WordPress e os plugins correm em cima do PHP, mas não o atualizam. A versão do PHP é definida no servidor ou no painel do alojamento e tem de ser atualizada aí.
Como sei se o meu site usa PHP?
Se o site é feito em WordPress, Joomla, Drupal, PrestaShop ou Magento, usa PHP. Pode confirmar no painel do alojamento, em Ferramentas > Saúde do site no WordPress, ou com a verificação rápida gratuita da Nexo Solutions.
Fontes
- Malwarebytes: PHP2Shell, why websites are going offline for emergency security updates (21/10/2026)
- Unit 42 (Palo Alto Networks): Threat Brief, CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619
- RTÉ: Websites go dark as AI exposes critical security flaws (21/10/2026)
- KrebsOnSecurity: Widespread PHP flaw may cause many site outages today
- CNBC: Government websites go dark as software flaw sparks security scramble
- CNN Portugal: Japão emite alerta urgente devido a vulnerabilidades no PHP
- W3Techs: Usage statistics of server-side programming languages
- RGPD, artigo 33.º: notificação de uma violação de dados pessoais à autoridade de controlo